Turismo de Compras no Centro de São Paulo

Consumidores caminhando em calçada de uma região de lojas

Durante o período em que estive à frente da Subprefeitura da Mooca tive a oportunidade de conhecer com maior profundidade uma região de São Paulo extremamente interessante e que demanda uma atenção muito especial do poder público: o Brás.

O Brás possui mais de 5 mil estabelecimentos comerciais do setor vestuário; centenas de ônibus chegam diariamente na região trazendo compradores de diversas partes do Brasil – nos períodos que antecedem algumas datas comemorativas, são mais de mil. Há também quem venha de outros países para aproveitar as oportunidades de compras que essa região oferece.

Muitos comerciantes procuram o Brás em busca de bons negócios nos setores madeireiro e de ferragens, no entorno da Rua do Gasômetro ou, ainda, no setor calçadista no entorno da rua Cavalheiro, onde se concentram grandes distribuidores de calçados. Outros procuram os prazeres da gastronomia entre os armazéns de produtos importados da zona cerealista. O Brás é realmente uma região extraordinária, ao mesmo tempo em que é abandonada pelo poder público.

Na primeira oportunidade que tive, busquei recuperar as áreas públicas degradadas da região, como o largo da Concórdia, que transformei em praça – à qual se juntaram, depois, as praças Agente Cícero e Domingos Paiva – e retiramos uma favela da zona Cerealisa, na rua Monsenhor de Andrade, que provocava graves problemas para a região, servindo, entre outros abusos, de endereço para cativeiros de seqüestros. Também disciplinamos os ônibus que geravam graves problemas aos moradores.

O Fato é que o Brás deve ser visto como uma grande “Jóia da Cidade”, capaz de atrair investimentos e oportunidades de negócios para São Paulo. Deve ser alvo de uma política pública que, realmente, seja capaz de incluí-lo no circuito de compras da maioria dos turistas que visitam a nossa cidade. Para isso, deve contar com um amplo planejamento e foco administrativo.

O zoneamento da região precisa ser revisto, pois o Zoneamento de Interesse Social não atende a vocação do bairro e promove degradação. O plano Diretor deve estimular os investimentos do setor hoteleiro, de grandes lojas, dos shoppings e redes de alimentação e moradores de variados perfis.

Muitos turistas que visitam o Brás também vão à 25 de Março, outros ao Bom Retiro ou para a região da Santa Ifigênia. O circuito das compras acontece naturalmente, mas apenas para os “iniciados”. O Poder Público pode estimular para que a região se torne um circuito atraente para todos os turistas que visitam a cidade.

A criação de um grande estacionamento adequado para os ônibus fretados que chegam diariamente oferecendo bons serviços, pode tornar a visita mais segura e desestimular o comércio irregular da região, que tanto penaliza os comerciantes e moradores locais.

A cidade de São Paulo deve explorar melhor sua vocação para os negócios e oferecer a melhor opção para o turismo de compras da América Latina.

  • Francisco Gabriel

    A região do Brás, da 25 de março e da Santa Ifigênia realmente são focos de turismo de compras. Toda pessoa que eu conheço, e quem de fora, quer dar um pulo para fazer compras nessas regiões. Porém, um ponto extremamente negativo que notamos é a dificuldade de locomoção entre essas regiões. A dificuldade se dá tanto para quem está de carro ou vai usar o transporte público. Isso sem contar o fluxo diário de moradores da cidade que passa entre essas regiões a caminho do trabalho. Se houvesse alternativas de transporte público nessa região a quantidade de pessoas e de compras com certeza seria muito maior.