Broadway Paulistana

Placa da rua da Broadway em Nova Iorque com arte

O grande desafio para a próxima administração da cidade será o de manter São Paulo como a grande locomotiva mesmo perdendo suas industrias.

No distrito da Mooca podemos observar um exemplo disso no parque industrial da Mooca, onde a grande Montadora da Ford foi demolida e dará lugar, em poucos dias para um novo Shopping Center, o que deve acelerar o processo de transformação dessa região. A fábrica da Continental também deixou a cidade e o terreno da antiga Esso continua desocupado, em fase de “descontaminação” até novo uso. Centenas de grandes galpões de empresas do setor metalúrgico ainda resistem na região, mas até quando?

O que pode acontecer no entorno da Av. Henry Ford quando essas empresas encontrarem outro lugar para se instalarem? Trata de uma região com mais de 1 milhão de metros quadrados sem uso residencial, próximo à Avenida do Estado e a 4km da praça da Sé. É ali que podemos pensar num grande projeto para nossa cidade.

Ao dar encaminhamento à Operação Urbana, a prefeitura sinaliza com a possibilidade de uma mudança de uso planejada. Isso é muito importante para impedir a degradação da região e abrir ao debate para a construção da cidade que queremos.

Esta área está localizada entre a divisa com a linha férrea, desde a rua Sarapuí, até o viaduto Cap. Pacheco Chaves sendo o eixo desta idéia a avenida Henry Ford. Quando subprefeito, propus no Plano Diretor Regional que o terreno da Esso fosse transformado em Zona Especial de Proteção Ambiental (ZEPAM) para que possa abrigar uma área verde.

A cidade possui uma enorme carência de lugares adequados para abrigar casas de espetáculos, restaurantes, bares e eventos culturais. São Paulo recebe mais de 11 milhões de turistas por ano e não possui um ambiente específico que não choque com a necessária tranqüilidade para áreas com residências.

Pensar numa área isolada do uso residencial para abrigar um projeto como esse faz sentido em São Paulo, pois a legislação que trata da lei do silêncio, fiscalizada pelo PSIU e a lei da 1 horas que obriga bares que não possuem tratamento acústico, segurança e estacionamento a encerrarem suas atividades à 1 hora da madrugada é desrespeitada por quase todo o setor. Isso ocorre por que a demanda de clientes exige, mas criam enormes problemas à fiscalização que é obrigada a penalizar e até lacrar o estabelecimento quando reincidente. Uma situação de conflito permanente, de um lado, moradores que querem transitar e dormir e do outro, empresários da noite e freqüentadores. Ou seja, atividades que fazem parte do nosso hábito de consumo como moradores de uma das maiores cidades do mundo e possui demanda para ampliar, ainda mais, essas atividades merecem um local para isso. Essa idéia não é novidade, pois diversas cidades do mundo adotaram algum projeto dessa natureza como instrumento de revitalização de regiões degradadas.

No ano passado, foi votado a Lei da Concessão Urbanística e isso pode facilitar essa idéia. Há empresas internacionais estudando a região e já há projetos. Porém, o que se discute, permite o uso misto da área, possibilitando prédios residenciais. Neste ponto é que eu discordo. Durante a experiência que tive na subprefeitura com a legislação municipal, principalmente nessa área, acredito que seja fundamental a separação do uso residencial com o novo projeto, pois o conflito entre ambos pode ser um grande obstáculo ao sucesso.

Considero fundamental criar um belo projeto urbanístico, grandes estacionamentos, inclusive para ônibus fretados conveniados com a rede hoteleira de São Paulo, legislação específica em relação a lei cidade limpa e prever, até mesmo, um lago artificial.

É hora de aproveitar os novos tentos e planejar a mudança. O mundo pode ganhar uma nova Broadway, planejada e criativa, como a cidade merece.